Mais um encontro com esta turma linda. Como era véspera de dia dos pais, muita gente não estava presente. Para quem não foi à aula e ler este texto, saiba que senti a sua falta. Também peço para que, ao ler, diga para mim se foi possível entender superficialmente o que foi discutido.
Beijo na testa e vamos lá!

“O Prólogo” ou “De como mergulhar num laboratório de inovação pode me tirar da era das cavernas.”

Zare buscando chamar a atenção da galerinha da 5 º Série MBI, toda animadinha depois das férias. Foto: Ramirez D´Melu

Depois de um mês longe dessa turma apaixonante, cativante, impressionante, refrigerante, desodorante, amaciante e elefante, retornamos das férias direto para a experiência “Jump in a Lab”, como o Zare, nosso coordenador costuma dizer. Ou seja, a aula deste sábado seria dentro do laboratório de inovação de uma empresa.

O local escolhido foi a Everis, empreendimento global fundado por 4 espanhóis e, depois, comprada por um japonês. Empresa de consultoria e soluções em tecnologia para diversos setores, onde o Helio Fischer, incrível colega de turma, é gerente. Eu, que sempre trabalhei em escola, da província do ABC, confesso que fiquei encantado só com a estrutura do espaço. Eu sentia como se não estivesse no Brasil. Mas estava com meus colegas de turma, então a sensação era a de ir para uma “saída pedagógica”. Eu estava na Disney e queria aproveitar todos os brinquedinhos do parque. A turma toda estava animada, aliás, nosso clima de 5ª série, talvez pela saudade, nunca esteve tão à flor da pele.

Começamos a aula com uma apresentação feita pelo Roberto Pereira e pelo Helio sobre o funcionamento da Everis e como a inovação ali dentro acontece. Precisei sair para buscar papel toalha para enxugar a boca porque era tanta baba que caía… Descobrir o que acontece lá dentro e como a empresa realmente investe em inovação, foi muito impressionante para mim, já que não tenho contato com este tipo de realidade. De certa forma, me senti um “homem das cavernas”, mas peço calma, isso não é um sentimento ruim. Adoro ter a impressão de que não sei nada a respeito de algum assunto, já que isso me dá toda a oportunidade para aprender mais a respeito. Também tenho a possibilidade de refletir sobre meu próprio processo de inovação nos ambientes onde atuo.

Duas coisas ditas pelo Paulo ecoaram dentro de mim. A primeira dela é que “Inovação não se faz sozinho; é preciso um ecossistema…”. Acho que essa é uma das minhas maiores dores em relação à inovação dentro do ambiente educacional. Como é difícil encontrar um ecossistema onde a inovação é possível, minha Nossa Senhora da Disrupção! Mas como eu sou teimoso, ranzinza e chatão “prá catano”, como diriam meus antepassados, eu sigo tentando encontrar meus early adopters e enquanto não encontro meu ecossistema, eu sigo abrindo espaço na mato a facadas. O Paulo também falou sobre o “Vale de Desespero”, momento pelo qual costumam passar os processos de inovação. Trata-se de um período em que o crescimento é pequeno e nada parece estar acontecendo e aparentemente não há evolução. É tão legal quando a gente descobre que as coisas pelas quais a gente passa têm um nome… Ufa… Sinto-me mais aliviado e pronto para continuar minha jornada de inovação…

Mas antes eu não posso deixar de falar sobre algo que vi lá dentro e, acredito, materializa muito da minha impressão e o fato de meu queixo estar cheio de hematomas, já que várias vezes, nesta curta conversa, tive que resgatá-lo do chão, pois ele havia caído. O Helio apresentou um produto inovador e impressionante chamado “Morpheus”, um sistema de monitoramento acoplado num boné, que monitora as ondas cerebrais dos motoristas e trinta segundos antes do condutor dormir ao volante, um sinal é emitido para que ele acorde, faça uma pausa, tome um café, descanse e retome e viagem de maneira segura. Ainda em fase de testes e projetado a pedido de uma grande empresa do ramo de bebidas, este produto magnífico é capaz de reduzir o número de acidentes causados por se dormir ao volante. A pesquisa também conseguiu mapear locais onde há maior incidência de sono nas estradas. É para ficar embasbacado ou não é?  E pensar que um colega de turma está a frente de um projeto desses. Quando eu falo que estudo com gente incrível, as pessoas acham que é exagero…

Era tanta informação nova que eu já estava quase em tela azul. Se eu estivesse usando o Morpheus, receberia a mensagem: “Excesso de informação. Faça uma pausa agora ou o sistema entrará em falha crítica!”

Fizemos então uma pausa. Respirei fundo, tomei um café, mas por dentro, ainda continuava: “Mano do céu, você viu aquilo?”

Apresentação da Everis, feita pelo Paulo Pereira e por nosso colega de turma Helio Fischer – Foto: Ramirez D´Melu


“Lançamento do Módulo Internacional” ou “A China é logo ali” ou “Vou ali sacar uns dólares pra viajar”

Algum de vocês aí sabe onde um homem de quase 40 anos pode vender seu corpinho para ir para a China?

Quanto mais eu ouço falar do Módulo Internacional, mais eu me pergunto: “Meu Deus, o que eu faço para ir nesse trem bala, parceiro? Eu sou só passageiro prestes a partir…”

Eu quero comer o pato e ir nesses lugares que são apresentados, cara! Tô aqui bolando como é que eu arrumo 15 doletas pra

fazer essa viagem. Volto a dizer que se alguém souber onde eu vendo meu corpinho… Tô às ordens! Enquanto isso, volta para a realidade, Varleizinho!


“Emergência 4.0” ou “Bora lá dar tela azul neste menino”

Jan Dinz, o Samurai Exponencial apresentando-se à turma – Foto: Ramirez D´Melu

Em primeiro lugar, já quero deixar aqui registrado que normalmente meu “balelômetro”, meu sensor de balela, costuma apitar freneticamente quando ouço termos como trêspontozero, quatropontozero e cincopontozero. Costumo ter a impressão de que quem escolhe estes números, faz uma escolha sem critério, só para querer dar uma ideia de que é algo inovador ou revolucionário. Uma banalização bem ao estilo “Reprogramação de DNA Quântico”. Mas como aprendi na Imersão em Teoria U, é importante esvaziar-se, abrir mão do julgamento prévio, abrir o coração e refinar o estado de presença. Dei uma boa respirada antes da abertura da fala do professor. Antes de apresentá-lo, já garanto. Neste caso, o 4.0 faz todo sentido.

O Zare fez a introdução e nos apresentou à fera do dia. É impressionante como cada professor que chega, eu penso: “Agora não dá pra ser melhor do que isso…”, mas sempre dá. Fomos apresentados ao incrível JAN DINIZ, O SAMURAI EXPONENCIAL. O cara já ganhou meu coração contando sobre a experiência de inadequação dele ao ambiente da universidade e sua reflexão sobre a quantidade de jovens que não termina o Ensino Médio. Ele é um uma das pessoas à frente de várias empresas, algumas delas relacionadas com o Empoderamento Jovem.

JAN é realmente um Samurai, ou “homem que serve”. Sinto-o comprometido com um mundo melhor, com a transformação do planeta. Sua espada é a tecnologia. Implacável e destemido, ele nos conduziu a seu “Dojô Fractal”, um santuário sem espaço físico, onde através da cultura da “Aprendizagem Rápida” e da “Confiança Criativa”, iniciou seu treinamento. Como um “Mestre Miyagi”, foi nos levando a conhecer a ideia da “Entropia”, a perda de energia de um sistema. Segundo ele, tudo aquilo que estamos vendo é informação cristalizada. Num caminho contrário ao de Marin de Águia, ao ensinar Seya a explodir seu cosmo para destruir os átomos, JAN nos estimulou a olhar o mundo e as coisas em busca das informações cristalizadas ali presentes. E acrescentou que à medida que fomos evoluindo enquanto seres humanos, aumentou nossa capacidade de cristalizar informações. Desde Zarevile, onde Igor, Karine, Inês e Bruno agora adicionaram complexidade à maçã transformando-a numa maçã do amor, até o advento da Locomotiva a Vapor, que aumentou o raio de encontro com informações distintas em Zarevile, metáfora para a Primeira Revolução Industrial, passando pelo surgimento da linha de montagem, Segunda Revolução, até o surgimento do Computador, Terceira Revolução Industrial.

Ou seja: o conceito de 4.0 se aplica ao assunto da aula, já que falaríamos da próxima revolução, a única revolução anunciada até agora. E é por isso mesmo que andamos todos preocupados, porque sabemos que ela está acontecendo e ela aumenta drasticamente e quantidade informação e complexidade das coisas. Isso nos dá a impressão de que estamos perdendo o controle ou, como nas palavras de Nadim, hoje como Bardo e Menestrel de Zarevile diz em sua Cantiga Satírica, “O porrílhão está descontrolado…”

O treinamento estava pesado. Era preciso uma pausa para repor as energias. Eu já tinha dado tela azul. “Cara, é muita informação. É tanto termo técnico. Relaxa de querer entender tudo agora. Joga a informação para dentro e acredita que logo ela vai se organizar e lembra da mensagem do Jan: ‘Tá tudo na Gambiarra. Todas as etapas de inovação estão lá dentro.” Um professor bom tem essa capacidade: simplificar um assunto complexo numa metáfora poderosa. Arigatô, Sensei!


“Controlando o Porrilhão?” ou “Refinando o treinamento”, ou ainda “A código de ética de um Samurai Exponencial”

Depois de um almoço delicioso, um papo bacana sobre o ITalks do MBI com a Thais e um momento de composição com o Menstrel Nadim, onde começamos a escrever os primeiros versos uma canção que podemos terminar em até dois anos, voltamos ao Dojô Fractal para a segunda parte do treinamento com o Sensei Jan. HAI!

Nesta segunda etapa do treinamento, fomos apresentados aos conceitos de Internet das Coisas, Inteligência Artificial e Big Data. Não vou me ater aos termos e a suas definições aqui. Quem lê este texto ou é aluno do curso ou é curioso o suficiente para entender melhor sobre eles naquele sitezinho que responde tudo chamado Google.

Sobre isso, vale dizer que estamos acostumados a pensar de forma linear e a revolução que está emergindo vai nos obrigar a pensar de maneira exponencial. E não estamos acostumados a pensar desta forma, não estamos acostumados a agir desta forma. Para tanto, para que sejamos todos, assim como Jan, Samurais dessa Era Exponencial, é preciso estarmos atentos a novas exigências éticas deste momento. Como estar atento aos padrões reconhecidos e criados pelos algoritmos? Como refinar e deixar mais eficiente o “Departamento de Vai-Dar-Merda?”, que percebe falhas nas variáveis nas interpretações das informações em Volume, Velocidade e Variedade nunca antes percebidas? Como equacionar a tensão entre o que se quer e o que se tem hoje?

Todas essas questões, todas informações talvez tenham me tirado da faixa branca, mas dominar esta arte é uma tarefa de todo dia, é um caminho prático. Você já viu alguém virar mestre em caratê apenas lendo livros? Pois é. Eu vou lá fora então, lidar com esse mundão, lidar com toda essa informação, e me organizar no meio do porrilhão. Tô imaginando que, mais do que controla-lo, precisamos saber como ele flui.

Nos últimos 10 minutos da aula, acabamos falando por cima de “Educação”, assunto que me apaixona é que é o meu Mitie (olha lá, Thaís). E quando falamos de tecnologia neste setor, lembro-me muito de um tópico Manifesto 15, documento internacional do qual eu sou signatário e embaixador que diz:

  1. Se “tecnologia” é a resposta, qual era a pergunta?

 Parecemos ficar obcecados com as novas tecnologias mesmo sabendo pouco sobre para que servem ou sobre como podem ter impacto na educação. As tecnologias são ótimas para fazermos aquilo que temos feito melhor, mas usar as novas tecnologias para fazer as mesmas coisas antigas na sala de aula é uma oportunidade perdida. Os quadros negros foram substituídos por quadros brancos e por quadros interativos, os livros por iPads. Isto é como construir uma central nuclear para alimentar uma carroça. E, no entanto, nada mudou: ainda continuamos investindo imensos recursos nestas ferramentas  e a desperdiçar a oportunidade de explorar o seu potencial para transformar o que aprendemos e como o fazemos. Ao recriar as práticas do passado com as tecnologias, as escolas concentram-se mais em gerir hardware e software do que no desenvolvimento das capacidades intelectuais dos estudantes e no uso significativo destas ferramentas.

E por aí, vamos nós…